Inteligência artificial na contabilidade: o que dizem 393 profissionais

Eu acompanho a contabilidade há tempo suficiente para perceber quando uma mudança deixa de ser promessa e vira rotina. Foi isso que senti ao ver os dados da pesquisa realizada pela IOB, em parceria com FENACON e CFC, entre abril e maio de 2026, com 393 profissionais de todas as regiões do Brasil. O uso de sistemas com inteligência artificial já entrou no dia a dia da área. Não como moda passageira, mas como prática real.

No Brasil, 78% dos profissionais de contabilidade já usam recursos de IA ao menos uma vez por semana, e 53% fazem isso todos os dias.

Esse número, por si só, já diz muito. Ainda assim, o contexto deixa tudo mais claro. Entre os participantes, 69% atuam em empresas de contabilidade e 31% trabalham em outros segmentos. Ou seja, não estamos falando de um grupo isolado. Estamos vendo um retrato amplo de uma profissão que passa por mudança rápida, pressionada por prazos curtos, mais dados e uma busca constante por menos trabalho operacional.

O que está empurrando essa mudança?

Quando eu leio os principais desafios da rotina contábil, quase consigo visualizar a cena. Planilhas abertas, sistemas que não conversam, documentos sendo revisados mais de uma vez e pouco espaço para pensar. É nesse cenário que a tecnologia avança. A procura por mais rendimento e por menos tarefas manuais abriu caminho para novas ferramentas.

Os problemas mais citados pelos profissionais mostram bem isso:

  • Retrabalho manual, com 34%
  • Falta de tempo para análise e consultoria, com 20%
  • Dificuldade de integração entre sistemas, com 17%
  • Erros humanos em atividades repetitivas, com 15%

A maior dor da rotina contábil ainda está nas tarefas repetitivas e no tempo perdido com processos manuais.

Portanto, quando uma empresa busca automação, ela não está apenas comprando software. Ela está tentando recuperar horas, reduzir falhas e abrir espaço para trabalho intelectual. É exatamente nesse ponto que soluções como as da Robolabs fazem sentido, porque atacam o trabalho mecânico e digital que consome energia da equipe sem gerar valor real ao cliente.

Como os profissionais enxergam a IA?

Eu achei interessante notar que a visão geral é positiva. Existe cautela, claro. Contudo, o medo de substituição total aparece muito pouco. A maioria enxerga apoio, transformação e ganho de qualidade no trabalho.

Segundo a pesquisa, 42% acreditam que essa tecnologia mudará bastante o modelo de trabalho e será revolucionária. Outros 37% a veem como parceira para aumentar a produção e melhorar análises. Apenas 2% dizem ter medo de que ela substitua o trabalho humano.

O contador não está saindo de cena.

A percepção dominante é que a tecnologia muda a forma de trabalhar, mas não elimina o valor humano da contabilidade.

Eu concordo com essa leitura. Sempre que uma nova camada de automação aparece, o que muda primeiro não é a existência da função. Muda o foco da função. Em vez de gastar tempo digitando, conferindo ou repetindo passos, o profissional passa a interpretar melhor os dados, orientar clientes e apoiar decisões.

O novo papel do contador

Essa ideia aparece com força no levantamento. Para 58% dos respondentes, a IA tende a dar mais valor estratégico ao contador. Já 29% dizem que várias tarefas serão automatizadas, mas a tomada de decisão e a interpretação dos dados continuarão sob responsabilidade humana.

A automação retira peso das tarefas operacionais, enquanto o contador ganha espaço como intérprete, consultor e tomador de decisão.

Eu vejo esse movimento como uma troca de centro. Antes, o valor do profissional era medido muitas vezes pela capacidade de executar rotinas em volume. Agora, cresce o valor de quem consegue ler cenários, ligar pontos e orientar caminhos. Isso muda contratação, treinamento e até a forma como o escritório se posiciona no mercado.

Não por acaso, as falas das lideranças do setor caminham nessa direção. Jorge Santos Carneiro, presidente da IOB, destacou a tendência de substituição de tarefas operacionais por funções mais estratégicas. Reynaldo Lima Junior, presidente da FENACON, reforçou que sai na frente quem dominar tecnologia e consultoria. Já Joaquim Bezerra, presidente do CFC, chamou atenção para o papel do contador como guardião da informação confiável.

Eu gosto especialmente dessa última visão. Em um cenário com mais dados circulando e respostas geradas em segundos, confiança vira ativo. Nem toda resposta rápida está correta. Nem todo dado bem apresentado foi bem interpretado.

Contador diante de painel contábil digital com gráficos e documentos Uso alto, preparo baixo

Nem tudo, porém, está ajustado. Um dos pontos que mais me chamaram atenção foi o descompasso entre uso e capacitação. Embora os recursos inteligentes já façam parte da rotina, boa parte dos profissionais ainda está nos primeiros passos quando o assunto é domínio técnico.

De acordo com a pesquisa, 62% afirmam ter apenas conhecimento básico sobre o tema. Só 5% dizem ter conhecimento avançado. Além disso, 68% das empresas ainda não oferecem treinamentos. Em contraste, apenas 12% já estruturaram programas formais de capacitação, enquanto 17% pretendem fazer isso no futuro.

O mercado já usa a tecnologia com frequência, mas ainda treina pouco quem precisa operar, revisar e decidir com base nela.

Eu vejo risco nisso. Ferramenta sem preparo pode gerar confiança excessiva ou uso raso. E esse é um ponto sensível na contabilidade, onde contexto, regra e responsabilidade importam muito. Por isso, empresas que investem em formação saem na frente. Não basta adotar sistemas novos. É preciso ensinar a equipe a perguntar melhor, validar respostas e entender limites.

Na prática, penso que esse é um dos motivos que tornam modelos de automação personalizada tão valiosos. Quando a Robolabs desenvolve colaboradores digitais sob medida para processos contábeis, o ganho não está só na execução. Está também na criação de um fluxo mais claro, padronizado e fácil de acompanhar.

Segurança ainda está no centro

Se existe um tema que aparece com força quando se fala em IA na contabilidade, é segurança da informação. E eu considero essa preocupação muito legítima. Estamos lidando com dados fiscais, financeiros, societários e trabalhistas. Basta um erro para o dano ser alto.

Entre os maiores receios citados pelos profissionais estão:

  • Vazamento de dados, com 33%
  • Uso indevido de informações confidenciais, com 22%
  • Decisões automatizadas sem supervisão, também com 22%

Mesmo assim, há um dado que mostra maturidade na percepção do mercado. Apesar dessas preocupações, 83% se sentem muito ou razoavelmente confiantes quanto à segurança das ferramentas de IA.

O setor não ignora os riscos, mas já demonstra confiança moderada quando existem controles, revisão humana e regras claras de uso.

Eu penso que o caminho responsável passa por três frentes simples:

  1. Definir quais dados podem entrar em cada sistema.
  2. Manter supervisão humana nas respostas e decisões.
  3. Criar processos de auditoria e rastreabilidade.

Além disso, a confiança tende a crescer quando a automação é desenhada para a rotina real da empresa, com escopo bem definido. Isso reduz improviso e exposição desnecessária.

As habilidades que ganham valor

Talvez a parte mais interessante da pesquisa seja a mudança no perfil profissional. Quando as tarefas repetitivas começam a ser absorvidas por sistemas e robôs, outras competências sobem de posição. E não são habilidades frias. Pelo contrário, elas exigem repertório, julgamento e comunicação.

As capacidades mais valorizadas nesse novo cenário são:

  • Interpretação de dados, com 32%
  • Pensamento crítico, com 21%
  • Tomada de decisão estratégica, com 20%
  • Comunicação e consultoria, com 20%

O profissional contábil do presente precisa ler dados com senso crítico e transformar números em orientação prática.

Eu já vi equipes muito técnicas perderem espaço por não conseguirem explicar bem o impacto de uma informação. Da mesma forma, vi profissionais ganharem confiança do cliente por saberem traduzir cenários difíceis em passos claros. Portanto, o avanço digital não reduz a presença humana. Ele aumenta a exigência sobre aquilo que só pessoas fazem bem: interpretar contexto, conversar, ponderar riscos e orientar decisões.

Reunião de consultoria contábil com gráficos em tela O que esse retrato mostra para os escritórios

Quando eu junto todos esses dados, vejo uma mensagem bem direta. A tecnologia já está presente, a aceitação é alta e o trabalho operacional perdeu espaço como centro da profissão. Ao mesmo tempo, ainda faltam preparo, governança e desenho inteligente de processos.

Para escritórios contábeis e áreas administrativas ou financeiras, isso muda prioridades. Não faz mais sentido insistir em rotinas manuais que drenam tempo da equipe. Também não basta comprar ferramentas genéricas e esperar milagre. O melhor resultado aparece quando a automação nasce do processo real, com metas claras e acompanhamento.

É nesse ponto que eu conecto o tema com a proposta da Robolabs. A ideia de libertar humanos de serem robôs conversa diretamente com o que a pesquisa revela. Se o maior peso ainda está no retrabalho, nos erros repetitivos e na falta de tempo para pensar, então automatizar com inteligência deixou de ser luxo. Virou caminho natural para um escritório mais estratégico.

O próximo passo já começou

Outro sinal desse momento é o interesse crescente por formação e troca de experiências no setor. Eventos como o CONBCON 2026 já estão com inscrições abertas, o que reforça como o debate sobre tecnologia, contabilidade e atuação consultiva ganhou espaço na agenda profissional. Eu acredito que quem participa dessas conversas chega mais preparado para decidir com calma e agir com menos improviso.

No fim, os 393 profissionais ouvidos deixaram um recado claro. A inteligência artificial já faz parte da contabilidade no Brasil. Ela não apaga o contador. Ela muda o que se espera dele. Se você quer reduzir o trabalho mecânico, dar mais espaço ao pensamento estratégico e construir uma operação contábil mais fluida, vale conhecer melhor a Robolabs e entender como os colaboradores digitais personalizados podem apoiar essa virada no seu negócio.