Inteligência artificial na contabilidade: 8 fatos da pesquisa 2026
Eu acompanho o setor contábil há bastante tempo e posso dizer com tranquilidade: 2026 marcou uma virada. Não foi uma mudança lenta. Foi visível. Em muitos escritórios, a conversa já não gira só em torno de prazo, obrigação acessória e conferência manual. Agora, ela passa por dados, automação, apoio à decisão e uso de sistemas que aprendem padrões.
Essa percepção ganhou números na pesquisa realizada pela IOB, pela FENACON e pelo Conselho Federal de Contabilidade entre abril e maio de 2026. O levantamento ouviu 393 profissionais contábeis de todas as regiões do Brasil e mostrou um retrato muito claro do momento.
A contabilidade brasileira já entrou em uma nova fase digital, com adoção crescente de recursos de IA no trabalho diário.
Na minha leitura, esse avanço tem uma razão simples: o mercado cobra mais resultado, menos repetição e mais capacidade de pensar o negócio. É exatamente nesse ponto que empresas como a Robolabs ganham sentido, ao transformar rotinas manuais em fluxos automatizados para liberar tempo do contador e das áreas administrativas.
O retrato da pesquisa em 2026
Antes de entrar nos oito fatos, vale olhar para o perfil da amostra. A maior parte dos respondentes, 69%, atua em escritórios de contabilidade. Os demais trabalham em outros negócios. Isso ajuda a entender por que os dados refletem tanto a rotina de quem vive a operação intensa, com grande volume de tarefas, documentos e prazos.
Eu achei esse ponto bem revelador, porque o escritório contábil costuma sentir primeiro o peso do retrabalho. Quando um processo se repete dezenas ou centenas de vezes, qualquer ganho de tempo faz diferença real.
Menos repetição. Mais raciocínio.
Fato 1: o uso já é rotina
O dado mais forte da pesquisa é este: 78% dos profissionais já usam ferramentas de inteligência artificial no trabalho pelo menos uma vez por semana. Mais do que isso, 53% relatam uso diário.
Quando mais da metade do setor usa IA todos os dias, o tema deixa de ser tendência e vira prática.
Eu vejo isso como um sinal de maturidade. Não se trata mais de testar uma novidade por curiosidade. Trata-se de encaixar recursos tecnológicos na rotina para lidar com volume, prazo e cobrança por respostas mais rápidas. Em contabilidade, isso pode aparecer em classificação, leitura de documentos, conferências, apoio em consultas, cruzamento de dados e triagens iniciais.
Também não me surpreende que essa adoção esteja crescendo junto da automação sob medida. Em muitos casos, o que funciona mesmo não é uma solução genérica, mas sim um fluxo desenhado para a realidade do cliente, algo que a Robolabs já defende ao criar colaboradores digitais adaptados ao processo de cada operação.
Fato 2: a pressão por produzir mais está mudando o setor
A pesquisa mostra que o setor está mudando rápido por causa da cobrança por mais produtividade, menos tarefas repetitivas e mais foco analítico. Eu sei que a palavra parece batida, mas a realidade por trás dela é bem concreta: as equipes não conseguem crescer no mesmo ritmo da demanda se continuarem presas ao trabalho manual.
Na prática, o contador de hoje é pressionado por três frentes ao mesmo tempo:
- Entregar obrigações com rapidez e precisão;
- Dar respostas mais inteligentes aos clientes e gestores;
- Trabalhar com sistemas, dados e integrações que nem sempre conversam entre si.
Quando eu converso com profissionais da área, quase sempre ouço a mesma reclamação: sobra pouco espaço para pensar. E isso é um problema, porque a parte mais valiosa do trabalho contábil está justamente na leitura do cenário, na orientação e na decisão.
Fato 3: o maior inimigo ainda é o retrabalho manual
Os principais desafios apontados na rotina dos contadores ajudam a explicar por que a adoção de IA e automação vem acelerando. Os números da pesquisa foram estes:
- Excesso de retrabalho manual: 34%;
- Pouco tempo para análise e consultoria: 20%;
- Dificuldade de integrar sistemas e dados: 17%;
- Erros humanos em tarefas repetitivas: 15%.
O maior gargalo da contabilidade em 2026 não é falta de conhecimento técnico, e sim o peso das rotinas repetidas.
Esse dado faz muito sentido para mim. Quando uma equipe precisa copiar informação de um sistema para outro, revisar planilhas parecidas, conferir lançamentos semelhantes e repetir cliques por horas, o custo aparece de vários jeitos. O tempo some. O erro cresce. O desgaste aumenta.
É aí que entra a automação bem aplicada. Não para tirar o humano da contabilidade, mas para tirar o humano do que é mecânico. Essa lógica conversa diretamente com a proposta da Robolabs de libertar pessoas do trabalho digital repetitivo.
Fato 4: a percepção sobre IA é mais positiva do que muita gente imaginava
Existe ainda quem ache que o setor contábil olha para a IA com receio. Mas a pesquisa mostra um quadro diferente. Para 42% dos entrevistados, ela vai mudar muito o modo como se trabalha em contabilidade. Já 37% a consideram uma aliada para aumentar produtividade, melhorar análises e baixar custos. Só 2% dizem ter medo real de perder o emprego para máquinas.
O medo de substituição total é pequeno, enquanto a percepção de apoio ao trabalho é alta.
Eu gosto desse dado porque ele desmonta uma visão simplista. O contador não está vendo a tecnologia como rival. Está vendo como apoio. Faz sentido. Um sistema pode sugerir, cruzar, alertar e processar. Mas o julgamento sobre contexto, risco, impacto e caminho a seguir ainda depende de gente preparada.
Jorge Santos Carneiro, presidente da IOB, resumiu bem esse momento ao afirmar que a contabilidade está entrando em nova etapa digital e que a IA vai reforçar o lado consultivo do contador. Na minha visão, essa frase acerta no centro da questão. A técnica continua necessária, mas o valor percebido cresce quando o profissional sai da execução pura e entra na orientação.
Fato 5: o contador ganha mais valor estratégico
Outro número que chama atenção é este: 58% dos entrevistados dizem que a IA aumenta o valor estratégico do contador. Além disso, 29% acham que algumas tarefas vão ser automatizadas, mas o profissional seguirá tendo papel muito forte, sobretudo em interpretação e decisão.
A automação muda o tipo de trabalho do contador, e não apaga sua relevância.
Eu já vi isso acontecer em outras ondas tecnológicas. Primeiro, muita gente pensa no que vai desaparecer. Depois, percebe que a pergunta certa era outra: o que vai sobrar para o humano fazer melhor? Na contabilidade, a resposta aponta para atividades como:
- Ler cenários com mais profundidade;
- Orientar clientes e gestores com clareza;
- Identificar risco antes que ele vire problema;
- Transformar dado em recomendação prática.
Reynaldo Lima Junior, da FENACON, afirmou que será cada vez mais vantagem unir conhecimento tecnológico e capacidade consultiva. Eu concordo. O profissional que entende processo, dado e negócio passa a ocupar um espaço mais nobre dentro da operação.
Fato 6: a adoção cresceu mais rápido do que a capacitação
A pesquisa aponta um descompasso claro. Embora o uso seja alto, 62% dos profissionais dizem ter conhecimento apenas básico sobre IA. Só 5% se consideram avançados.
Do lado das empresas, o quadro também merece atenção:
- 68% não têm programa de treinamento sobre o tema;
- 12% já têm algum programa;
- 17% pretendem criar futuramente.
O setor já usa IA com frequência, mas ainda treina pouco suas equipes para tirar melhor proveito dela.
Eu considero esse um dos pontos mais sensíveis de toda a pesquisa. Quando a ferramenta chega antes do preparo, há risco de uso superficial, expectativa fora da realidade e falhas na governança. Saber apertar botão não basta. É preciso entender limite, qualidade da entrada de dados, necessidade de revisão e efeito da saída.
Por isso, eu vejo muito valor em projetos que combinam tecnologia com desenho de processo e acompanhamento próximo. Não adianta só colocar uma ferramenta nova. É preciso encaixá-la no fluxo de trabalho real.
Fato 7: segurança preocupa, mas a confiança segue alta
Quando o assunto é tecnologia aplicada à contabilidade, a segurança da informação sempre entra na conversa. E com razão. A pesquisa mostrou três preocupações principais:
- Vazamento de dados de clientes: 33%;
- Uso indevido de informações: 22%;
- Decisões de IA sem supervisão humana: 22%.
Ao mesmo tempo, 83% dizem confiar muito ou razoavelmente na segurança das ferramentas. Eu achei esse equilíbrio interessante. Há cautela, mas não paralisia.
O setor aceita a tecnologia, porém quer regras, revisão humana e cuidado real com os dados.
Joaquim Bezerra, do CFC, trouxe uma fala que merece atenção. Segundo ele, o contador tem a responsabilidade de ser guardião da integridade do dado, porque dados ruins podem gerar decisões ruins, mesmo com algoritmos sofisticados. Eu gosto dessa frase porque ela recoloca o debate no lugar certo. O problema não está só no sistema. Está também na qualidade da informação que entra nele.
Em projetos de automação, eu sempre vejo a mesma lição: processo bagunçado automatizado continua sendo processo ruim, só que mais rápido. Por isso, segurança, validação e governança precisam caminhar juntas.
Fato 8: as habilidades mais valorizadas já estão mudando
Talvez este seja o fato que mais diz sobre o futuro da profissão. A pesquisa mostra mudança no perfil de competências valorizadas. Interpretação de dados aparece com 32%, e tomada de decisão estratégica com 20%. Elas ficam à frente de habilidades mais operacionais.
O mercado passa a valorizar mais quem interpreta e decide do que quem apenas executa rotinas.
Isso muda contratação, formação e carreira. Cresce a busca por profissionais capazes de:
- Ler cenários com senso crítico;
- Orientar clientes com clareza;
- Comunicar implicações de números e riscos;
- Prestar consultoria com base em fatos;
- Conectar áreas financeira, fiscal, contábil e gestão.
Eu penso que essa transição é boa para a profissão. Durante muito tempo, o contador foi visto por parte do mercado como alguém preso ao operacional. Agora, os dados mostram espaço para outro papel, mais próximo da decisão.
O que esses oito fatos dizem sobre o próximo passo
Se eu juntar todos os números, a mensagem fica bem clara. A contabilidade já adotou recursos de IA em larga escala. Ela quer reduzir tarefas repetitivas, ganhar tempo para pensar melhor e reforçar a atuação consultiva. Mas ainda precisa amadurecer formação, integração de sistemas e governança de dados.
Em outras palavras, a tecnologia já entrou pela porta. Agora vem a fase de organizar a casa.
Esse movimento também explica por que soluções personalizadas tendem a fazer sentido. Cada escritório e cada área administrativa tem seus próprios gargalos, sistemas e volumes. Em muitos casos, o ganho aparece quando a automação é moldada ao processo real, e não o contrário. Eu vejo esse raciocínio com frequência em operações que buscam parceiros como a Robolabs para desenhar RPAs conforme a rotina do cliente, com previsibilidade de custo e foco em aliviar o trabalho digital mecânico.
O futuro do contador é mais consultivo.
Um setor em movimento
Outro ponto que merece menção é o CONBCON 2026, congresso online que já está com inscrições abertas. Eventos assim mostram como o debate amadureceu. O foco não é mais perguntar se a IA vai chegar à contabilidade. Ela já chegou. A questão agora é como adotar melhor, com preparo, segurança e visão de longo prazo.
Eu termino este artigo com uma convicção simples: a tecnologia não reduz o valor do contador quando é bem aplicada. Ela abre espaço para um trabalho mais humano, mais analítico e mais próximo da decisão. Se a sua operação ainda está presa ao retrabalho, talvez este seja o momento de rever processos e conhecer soluções como as da Robolabs, que ajudam a tirar o peso das tarefas repetitivas para que sua equipe possa se dedicar ao que realmente pede inteligência humana.

